segunda-feira, 18 de setembro de 2023

5 coisas que eu queria que tivessem me dito quando eu era novata na Moda Lolita

Meu primeiro outfit? Um guro lolita bem capenga


Olá meus amores !

Quanto tempo não é? 

Recentemente andei mexendo em antigas postagens e fotos do Facebook,gosto de recordar e ver como era diferente,um dos muitos álbuns de fotos que visitei foi o que guardo registros dos meus outfits lolitas.

Diga se de passagem alguns que deveriam ser esquecidos e queimados pois eram TERRÍVEIS!

Depois de me alto julgar por ter tido a coragem de postar e usar certos outfits ,me atentei as datas em que postei,algo como em torno de 2012 e então fiz as contas ....fazem praticamente 12 anos que estou usando moda lolita!!

Praticamente uma vida!

Foi aí que entrei,no que apelidei carinhosamente, de crise de meia idade da moda lolita.Comecei a refletir sobre meu início na moda e sobre como algumas coisas foram ...enfim difíceis de lidar.

Por isso hoje trago esse post com coisas que gostariam que tivessem me dito quando iniciei na moda.


1 - Tá tudo bem errar

A moda lolita tem uma cobrança muito grande com a perfeição e com o não errar, principalmente na época que iniciei na moda em que tínhamos o famigerado medo de sermos chamadas de "ita"e pararmos em sites de hate. Então o erro era algo que não podia acontecer em nenhuma esfera do outfit, principalmente na roupa.

O medo que sentia de usar algo que não fosse "lolita o suficiente",se a saia estivesse alguns centímetros mais altos do que devia ou até mesmo usar algum acessório "errado"...enfim qualquer coisa poderia ser motivo para parar nesses meios de hate.

Por isso acabei deixando de fazer muito outfit,explorar minha criatividade e até interagir com a comunidade.

Então se você é novata quero que saiba que está tudo bem errar! O erro faz parte da trajetória e da evolução, então erre, peça ajuda para as veteranas, converse com quem está a mais tempo na comunidade e interaja com a comunidade.

2 - Nem todo mundo que usa moda lolita vai querer amigar com você e tá tudo bem

Eu sei que quando iniciamos em lolita estamos super ansiosas para interagir com outras Lolitas,querer criar laços e trocar "figurinhas" sobre o estilo.

Infelizmente nem todos vão querer o mesmo e tá ,realmente, tudo bem.

Se dermos um passo para trás, lolita é uma parte muito pequena de uma pessoa que é composta por diversas vivências além do estilo e talvez não rolê amizades por isso.

Mas lembre existe uma grande diferença entre não querer ser amigo e ser grosseiro, ninguém tem direito de ser grosseiro.

3 - Tenha paciência

Eu passei por isso,você veterana passou por isso e qualquer pessoa que iniciou na moda passou pelo que gosto de chamar de "fogo na anágua" para adquiri suas primeiras peças lolitas.Estamos ansiosas por acabar de conhecer algo que nos identificamos e queremos adquirir QUALQUER COISA que remeta a esse estilo, QUALQUER COISA.

Por isso acabamos não nos preocupando muito se a peça é realmente lolita ou se fará sentindo no futuro guarda roupa.

Então tenha paciência novata,pesquise, aprenda muito sobre o estilo e tenha paciência.

Você vai adquirir sua primeira peça realmente lolita.

4 - O tempo é curto de mais para não usar aquele outfit

Quantos outfits deixei de fazer por faltar acessório x ou blouse y?Quantas experimentações não fiz com medo do que poderiam falar?

E no fim a única que perdeu com isso fui eu,que não me expressei e deixei de fazer coisas pelos outros.

Como disse para alguém que gosto "Isso é sobre você ou sobre os outros?"

Isso é sobre nós! Se os outros quiserem julgar eles vão julgar e vai ser por qualquer coisa, talvez por algo que você nem imaginava.

Então teste,se joga e tenta.

5 - O tamanho do seu guarda roupa ou a quantidade de Brand que tem nele não te faz uma lolita melhor ou pior

Isso foi algo que me pegou muito forte , principalmente no início.

Não tenho vergonha nenhuma de dizer que minha mãe é uma empregada doméstica e menos ainda que nossa situação era no mínimo delicada,quando entrei para a moda lolita.

Eu tinha dois vestidos,um feito por ela e outro por outra costureira,um deles não era nem um pouquinho próprio para o estilo e outro não era perfeito.Por isso acabava não indo a meets e , infelizmente,achando que era menos que outras meninas que tinham seus guarda  roupas lotados de peças.Lembro que sonhava em encher um guarda roupa com peças lolitas e ficar admirando elas....10 anos depois eu consegui fazer isso.

Mas ,fosse com dois vestidos ou 15,isso não me fez uma lolita melhor ou pior do que as que tem/tinham 150 vestidos de brand ou não.Isso só significava que elas tinham mais poder aquisitivo do que eu e que podiam se dar ao luxo de gastar com isso.

Então tenha calma,sei que é parte da moda esse consumismo louco e quase que descontrolado .....mas vc não precisa participar dele.Compre o que pode comprar,leve o tempo que for necessário para construir seu guarda roupa ou até iniciar na moda.

Então é isso ,espero que esse post ajude alguma novata por aí 💖




quarta-feira, 26 de julho de 2023

˚✧ ˚♡˚ ✧˚ Jogo de perguntas com tema de moda lolita ˚✧ ˚♡˚ ✧˚



Achei essas perguntas no Tumblr e achei interessante trazer traduzidas aqui para o blog ☺️

Quem fez as perguntas foi Nuzzle e eu só utilizei a tradução do Google.

˚✧ ˚♡˚ ✧˚ jogo de perguntas com tema de moda lolita ˚✧ ˚♡˚ ✧˚ 

você pode responder a todas elas ou reblogar para receber algumas perguntas!

 1: como e quando você conheceu a moda?

    Conheci a moda lolita através do anime Rozen Maiden, inclusive recomendo muito,amei a estética e história da obra então fui atrás de outras obras parecidas.Pesquisa vai e vem acabei me deparando com o termo "moda lolita" na Wikipédia,acho que li várias vezes a página, e depois disso fui me aprofundando cada vez mais até chegar nos blogs lolitas brasileiros.

 2: se você pudesse escolher apenas um: estampados ou sólidos? 

   DIFÍCIL,MUITO DIFÍCIL.Mas fico com estampados.

3: você tem um tipo de renda preferido? 

   Tule,amo e adoro.

4: lugar favorito para ir vestindo lolita? 

   Cafés definitivamente são meus lugares preferidos.

5: em que consiste principalmente o seu guarda-roupa? 

   Basicamente uma mistura entre Sweet lolita e gothic.

6: você tem uma lolita favorita/alguém te inspira? 

  A Annah,do da lojinha da Annah Hel, definitivamente é a minha favorita.Diria também a Vanessa Huayatan do Chile,Vic que é uma lolita brasileira maravilhosa e a Bel Rose.

7: você está em uma comunidade ou é uma lonelita?

  Estou numa comunidade 💖

 8: tipo favorito de conteúdo lolita? (resenhas de vestidos, tutoriais, feitos à mão/costura, postagens anuais de guarda-roupa, prepare-se comigo, qualquer coisa!) 

   Amo textos focados na história da moda lolita,arrume se comigo,gosto um pouquinho de resenhas e amo um tutorial.

9: você tem um canal lolita favorito no youtube? 

   O meu Unicórnio Alternativo.

10: você prefere lolita casual, em algum lugar no meio, ou OTT? 

    Depende do dia,as vezes estou no OTT e outras quero algo mais simples.

11: qual item você tem que nunca venderia?

    Nossa difícil mas acredito que meu vestido da Annah Hel.



 12: qual item você se arrepende de ter comprado? 

    Nenhum.

13: primeira compra? 

Esse vestido 



14: compra mais recente? 

    Meu milky Planet



15: você tem uma opinião impopular sobre a moda? 

     Nós pensamos de mais em marcas e pouco em pessoas.

16: combinações de cores favoritas? 

Preto e rosa

17: qual é a marca da qual você não tem muitas coisas, mas gostaria de ter? 

     Dokidoki Princess,tenho nada deles mas queria várias coisas.

18: qual é a melhor característica que um vestido pode ter?

    Ser tamanho plus size.

 19: você se lembra do primeiro vestido que viu? você ainda gosta?

     Não me lembro mas deve ter sido algum vestido oldschool,acho algo bonito mas nada OMG.

 20: se você pudesse ficar com apenas um par de sapatos, quais seriam? 

    Meus tea partys.

21: você tem um mascote de marca favorito?

    O gatinho da Annah Hel.

 22: você prefere marcas maiores ou marcas independentes?

    Marcas independentes,elas tem uma criatividade gigante e tamanhos maiores.

 23: lugar favorito para fazer compras? 

     Lolita Sales.

24: padrão favorito? (listras, bolinhas, florais, qualquer coisa!) 

     Xadrez.

25: coisa favorita sobre a moda? 

   Anáguas que fazem a gente parece bolinhos com pernas.

26: coisa menos favorita sobre a moda?

    Ainda temos uma moda muito gordofobica.

 27: qual animal você mais gosta de ver em vestidos/acessórios? 

     Morcegos fofinhos.

28: plataforma favorita para conteúdo lolita? (outras redes sociais, blogs, qualquer coisa!)

Blogger,pelos textos,TikTok e Instagram.

 29: penteado favorito quando usa lolita?

     Não tenho.

 30: você sente saudade de tudo que não existe mais?

     Depende sinto falta de mais blogs mas não sinto falta dos sites hates.



É isso gente espero que tenham gostado das perguntas ☺️




domingo, 9 de julho de 2023

Moda lolita, infantilização ou hiper feminilidade?


Nota da autora: Esse foi um trabalho que fiz para uma cadeira do meu curso.A tarefa era transformar um artigo em notícia,escolhi o artigo "Individualismo e produção do feminino através da moda urbana lolita" da mestra em antropologia social Aline Lopes Rochedo.

Saias volumosas, bichinhos de pelúcia,rosa,babados e cabelos coloridos.

A primeira vista poderia estar descrevendo algum grupo teatral voltado para contar histórias infantis e formado majoritariamente por mulheres,mas quando nos aproximamos mais e trocamos algumas palavras com essa turma inusitada e questionamos "O que vocês estão vestindo?".A resposta que vem em seguida é "Uma moda alternativa" e assim o grupo se volta para sua conversa,se fechando em sua própria realidade ,sem julgamentos daqueles que não conhecem e as acham estranhas.

Este grupo é a comunidade de moda lolita/harajuku do RS,uma comunidade diversa,bem humorada e reservada no que diz respeito a seus encontros e membros. Quase uma sociedade secreta onde as mais diversas pessoas se reúnem para falar sobre o novo lançamento de marcas como Angelic Pretty,Baby e compartilhar achadinhos voltados para a moda alternativa.Sem impedimentos de gênero ,a comunidade conta com alguns meninos,pessoas de gênero fluido e ,em sua gritante maioria, mulheres.É interessante colocar que isto também reflete na comunidade de moda lolita nacional, onde tem um número expressivo de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ fazendo parte da mesma.

Talvez ,exatamente por conter um número expressivo de minorias, a comunidade seja tão fechada para aqueles que não fazem parte desse mundo de moda alternativa japonesa.Se tem uma grande preocupação em como a interação da comunidade e de indivíduos que se comunicam sobre a moda com quem não é do meio,seja por preconceitos já sofridos, reprodução do estereótipo "adolescentes estranhos" e da reprodução de falas erradas.

É por buscar ir contra esses estigmas sociais,que o trabalho da doutora Aline Lopes Rochedo se destaca.Interessante citar como a acadêmica inicia os seus primeiros contatos com a moda lolita,como a mesma explica no artigo,através de algum programa da grande mídia brasileira,que teve pouca ou nenhuma preocupação em explicar sobre uma moda alternativa que surge nos 70/80 no Japão e que busca no exagero do feminino chocar e se opor a sociedade patriarcal japonesa.Na ocasião foi explicado rapidamente e de forma rasa os significados de palavras como kawaii,quase sem explicação sobre a moda e sim muito mais focado na visão que a "embaixadora kawaii" Akemi Matsuda tem sobre as vestimentas,além de expor quem usa a moda como "algo raro e diferente " e não como seres humanos com suas demandas e particularidades.Não houve questionamentos sobre a polêmica da moda e do livro "Lolita" do escritor russo Vladimir Nabokov compartilharem o mesmo nome e nem as diferenças entre um e outro.Ao longo do artigo a mesma comenta que o ponta pé inicial para buscar escrever e conhecer a comunidade lolita, principalmente a do estado do RS, é o encontro com uma pessoa do meio no mercado público da cidade .

Ao invés de partir para um olhar estereotipado e raso,como grande parte das matérias jornalísticas produzidas no Brasil sobre a moda ,Aline busca em seu artigo "Individualidade e produção do feminino através da moda urbana lolita" trazer um olhar mais acadêmico e respeitoso para a moda lolita e para quem a usa.Ao escutar tanto a comunidade nacional como a do estado do Rio Grande do Sul,busca entender os reais motivos do porquê mulheres,homens e pessoas trans usam a moda e veem nesta comunidade um ambiente seguro.

O trabalho de Aline mostra como a moda lolita acolhe a todos que querem se auto expressar com uma imagem ultra feminina,rebelde e cheia de autoconfiança.

Citando um dos grandes autores da moda lolita ,Novala Takemoto "Lolitas não reconhecem nenhuma autoridade. Elas seguem apenas os valores que escolheram para si mesmos, independentemente do que alguém pode dizer.”Usar moda lolita é ato de rebeldia contra uma sociedade que liga a imagem de rendas,babados e tons pastéis em uma mulher adulta a se infantilizar para agradar homens e que nem por um segunda questiona o homem por se atrair por coisas ditas infantis.

Esse grupo acolhe a todos que realmente buscam as entender e as escutar sem julgamento e que as enxergam como realmente são jovens adultos que gostam de rendas,babados,saias volumosas e ficar sentados em cafés enquanto conversam sobre algum lançamento de alguma marca japonesa.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Vamos falar sobre réplicas de forma sincera ?


 Para iniciar esse post quero pedir para que só siga lendo se você está disposto a desconstruir seus pensamentos. Se está aberta a ver outros pontos de vista, e principalmente, se desprender da dualidade rasa do "réplica é errado/certo",okay? O primeiro ponto que precisamos entender é por qual motivo existem réplicas e a quem elas servem.


Seja na comunidade de moda lolita ou na nossa dita vida normal, a réplica surge como uma forma de adquirir um produto que um ídolo usa, mas que nós não teríamos acesso pelo valor elevado; a réplica foi uma forma que pessoas de renda mais baixa conseguiram de acessar estéticas e se identificarem com pessoas como Riannah, Lady Gaga, Lil Nas X ou Misako Aoki. 


"Mas Tay isso é luxo, não é algo essencial como comida". Realmente é luxo, não é essencial como comida. Mas precisamos entender que é do ser humano buscar fazer parte de um grupo, estar inserido nele. Para isso,  é necessário fazer certos ritos, e qual faz mais parte da comunidade de moda lolita que adquirir uma peça de marca japonesa como  Baby, AP, IW e até minha queridinha Meta? Tanto pela construção da nossa sociedade consumista e capitalista, quanto pela própria comunidade de moda lolita que se apropria muito disso.


As pessoas que consomem dessas marcas são vistas como lolitas melhores, mais descoladas, uma lolita de verdade, ganham mais repercussão e espaço. "Mas Tay, esse pensamento não foi desconstruído principalmente na comunidade Br?", em partes sim, ainda temos algumas que destoam, mas o foco não é esse. Nosso foco é entender o por quê de pessoas comprarem réplicas, principalmente de marcas maiores e que muitas vezes não tem tamanhos inclusivos. A compra desses produtos “piratas” é feita para que se sintam pertencentes a uma comunidade, seja ela nacional ou internacional, e mesmo que o pensamento de "preciso comprar Brand Jp para ser uma lolita de verdade" esteja em desconstrução na comunidade Br, ele ainda é muito forte .


Acima de tudo precisamos entender que a réplica, seja ela na moda lolita ou de Gucci, é uma forma que uma parcela das pessoas usa para burlar um sistema que as exclui, não importando a questão de tamanhos ou financeira. Quem compra réplica não é um ser malvado, um vilão do Mario ou de mangá shoujo, que tem suas ações pensadas para prejudicar o protagonista, marca ou artista .


"Aí Tay, mas desvaloriza o artista dessas marcas". Sendo bem sincera, se formos ver as políticas de emprego do Japão vamos dizer que não é exatamente a réplica que os está desvalorizando. Podemos aqui inclusive entrar na questão de pagamento dos funcionários, de artistas que não são as estrelas da marca, e inclusive da produção do tecido. 


É importante pontuar que uma coisa é comprar réplica de uma marca que tem uma grande indústria - sim, as marcas japonesas que são referência no estilo são grandes indústrias; se desprender dessa ideia de que existe uma costureira que com seu pó de Pirlimpimpim fez milhares de novos vestidos da AP é URGENTE. Outra coisa são ateliês realmente pequenos como A Bruxa Madrinha e Annah Hel; essas lojas contam com no máximo 1 ou duas costureiras que ganham, às vezes, um salário mínimo ou menos, sendo que elas acumulam funções.


Quando você replica essas lojas pequenas você está diretamente tirando dinheiro de pessoas que realmente precisam, quando você replica Baby e AP está tirando dinheiro de uma empresa que fez collab com a Disney. "MAS TAY, É OU NÃO É PRA COMPRAR RÉPLICA ?". Primeiro que não estou aqui para dizer o que deve ou não fazer, mas sim pra te fazer refletir sobre. O que posso te dizer é que: sim, você vai ser um escroto se comprar réplica de marcas menores, mas se alguém te julgar ou atacar por ter réplica da AP o escroto vai ser a pessoa. 




terça-feira, 19 de outubro de 2021

Réplicas e culpabilização gordofobica

 


Quando iniciei a falar sobre gordofobia e o problema que lolitas gordas sofrem no meio, seja para comprar, serem aceitas ou se encaixarem no meio, recebi muitas mensagens de apoio concordando e compartilhando suas dores. Mas,  também recebi comentários que discordam do texto e diziam que "não era bem assim".

Dois comentários em particular me marcaram mais. Em um deles, a pessoa diz que “ser gorda ou ter toda essa dificuldade para comprar peças não era justificativa para replicar marcas” (Observação: eu nunca falei sobre réplicas em nenhum dos meus textos até agora ) e o outro comentário era que o que "sujava a comunidade eram lolitas gordas que usavam réplica”.


Eu demorei muito tempo, talvez até demais, para entender que isso não tem só ligação com condenar réplicas e sim com condenar o corpo gordo que se atreve a achar uma saída para usar uma roupa que quer. Enquanto nossa comunidade é tão lotada de problemas como racismo, xenofobia, bullying, elitismo e tantas outras coisas ruins, uma pessoa gorda que achou uma saída para um problema, ser considerada o que suja a imagem da comunidade é insanidade.  O corpo gordo é visto como algo ruim, detestável, nojento e doente; que não merece se sentir bem.


O problema não é a réplica mais, não é o dinheiro que a Brand milionária perde ou a desvalorização da artista, o problema é a gordofobia!


Entendam, não tô aqui pra dizer "réplica é certo" ou "réplica é errado", se descolem dessa dualidade desnecessária e rasa! Eu tô aqui para fazer vocês pensarem. Você saberia que aquela peça, daquela marca, é uma réplica se não fosse uma pessoa gorda usando ? Não né ? Você só sabe que aquilo é uma réplica porque a marca não faz tamanhos maiores, e você sabe o porquê, já conversamos sobre isso em outros textos .


No final quem fica de errado não é a marca que exclui parte do seu público, mas sim as que são excluídas e tentam uma forma de burlar essa exclusão. Termino esse texto com uma frase de Paulo Freire: " não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor ". 









quinta-feira, 5 de agosto de 2021

A comunidade tóxica e a quem ela serve

Olá meus amores 💕
Hoje vamos falar de um tema que tô a tempos querendo falar: comunidade tóxica na moda lolita!
Para início de conversa, precisamos entender que sim, gostando ou não, as comunidades nacionais e internacionais de moda lolita tem problemas e isso é indiscutível, mas precisamos entender que de alguns poucos anos atrás para agora, a comunidade BR mudou muito.

"Mudou nada, me mostra onde mudou!"
Bom, antes de 2017, que considero um grande divisor de águas na comunidade nacional, nós éramos muito ligadas a grupos internacionais e, principalmente, reproduzimos muitos comportamentos ruins dessas comunidades, que geralmente são muito grandes e pouco moderadas, tais como: participamos em sites de hate, tínhamos sites nacionais de hate e bullying e aqueles que achavam normal eram mais vocais e se sobressaiam sobre quem achava errado. Havia muita gente que batia palmas e considerava engraçado e certo. Se a comunidade internacional faz, o que nós impedia de fazer também? Havia muita falta de bom senso e maturidade.

Em 2017, tivemos o retorno do meeting nacional. Esse evento visava reunir todas as pessoas de nossa comunidade. Talvez eu esteja fantasiando, mas desde então sinto que somos uma comunidade mais unida e que se propôs a melhorar. Pudemos ver, através desse meeting, que somos muitas comunidades de pessoas diversas, vindas de vários estados do país, todas colocando amor e esforço na nossa moda. Vimos que ódio e bullying não são legais, vimos que abraçar nossas novatas é importante e que devemos ser bons exemplos, para que elas não reproduzam comportamentos que agridam, ofendam ou alienem outras pessoas. 

Esse sentimento de união tem ajudado a produzir uma comunidade melhor, mas ainda temos muito o que melhorar.

Um dos pontos a se melhorar é que continuamos repetindo que a “comunidade é tóxica” sem nunca descrever e procurar resolver esses problemas.

"Espera aí!! Então você quer que eu não fale que comunidade é tóxica?!?!"

Não.

O que quero é que façamos um exercício de reflexão e autocrítica. Devemos nos questionar sobre como melhorar nossas comunidades. Como podemos atingir e influenciar positivamente nosso círculo de amigos? Como criamos espaços seguros? Não falo para tomar ações gigantescas, mas ações reais, como acolher quem está sendo atacado, não divulgar sites de ódio e evitar tretas desnecessárias. Você faz isso ou, quando surge a oportunidade, vai lá e repete "a comunidade de moda lolita é tóxica” enquanto joga lenha na fogueira?

Você sabe a quem serve essa atitude conflituosa? Exatamente, serve a valentões e pessoas mal intencionadas. São pessoas que não querem que a comunidade cresça, que tenha pessoas diferentes participando, não querem pessoas buscando melhorar a comunidade e mudando as coisas. Eles querem que as pessoas sintam medo de entrar e, ao entrar, que reproduzam seu comportamento cruel. Um ambiente assim jamais iria florescer e criar algo saudável e legal de participar.

Por isso, não podemos apenas repetir que a comunidade é tóxica! Temos que entender que ela pode ser permissiva com mau comportamento ou ter um pacto coletivo pelo bem-estar de todos os participantes. De fato, a comunidade nacional melhorou e é possível tomarmos a iniciativa para melhorar cada vez mais.
Me diz como você quer melhorar a comunidade?

Texto inscrito em conjunto com a Annah Hel

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Moda Lolita 'não' está morta


 Olá meus unicórnios amadinhos!

Em algum momento da sua vida dentro da comunidade de moda lolita você já deve ter lido em algum lugar que a moda estava morrendo, principalmente a uns 10 anos atrás, esse foi um tema bem recorrente nas comunidades mundo afora. A questão é: da onde o povo tira isso? 

Pode-se dizer que existem 3 grandes fatores para as pessoas acreditarem nisso, sendo eles: a gentrificação de Harajuku, que favoreceu muito grandes fast fashion como por exemplo Forever 21, e fez ateliês menores fecharem com o aumento do valor do aluguel. Isso fez com que muitos turistas também fossem para essa área, e vocês sabem como tem turista babaca né? Muitos tratavam o pessoal adepto da moda alternativa como uma atração pública (eu explico mais sobre como isso é ruim no texto sobre assédio na moda lolita), fazendo com que muitos alternativos saíssem dessa área, que é uma referência para modas alternativas, e fossem para outros bairros.

Outro ponto são as mudanças das formas de consumo de roupas. As revistas que eram "bíblias" da moda estão fechando, lojas fechando e pontos de encontro. Claro que eu acrescentaria aqui também que a vida adulta já não permite que a pessoa se dedique tanto a moda como antes. Tudo isso acaba culminando nesse último ponto: pessoas dizendo que a moda está morta ou morrendo porque a moda já não está mais como era a 5, 10 ou 15 anos atrás. É importante entender que a moda alternativa, seja ela lolita ou qualquer outra, se modifica com o passar dos anos. 

Podemos notar essas mudanças com o passar dos anos. Quando eu entrei para moda lolita em 2012 era extremamente difícil comprar roupas importadas de marcas como Angelic Pretty. Já em 2014 muita coisa mudou, foi um boom o uso de tecidos transparentes em blouses, coisa que seria impensável alguns anos antes, o acesso a importação também ficou bem mais facilitado. Depois, em 2017 a Kera uma das revistas mais icônicas do meio alternativo, parou de ser publicada fisicamente e isso foi um surto na comunidade. Mesmo a revista sendo publicada online e com correspondentes em vários países (inclusive no Brasil) e em 2020. Mais recentemente, tivemos uma pandemia mundial que faz a modificação do consumo de moda lolita, até mesmo os meets presenciais não existirem. Claro que há outras maneiras de nos unirmos em meio a pandemia com eventos online, como a AP fez.

Vocês devem estar pensando agora "Aí Tay, mas pessoas que gostam de cultura japonesa não conhecem a moda lolita e confundem com loli”. Primeiro que esse tema moda lolita e loli é algo para outro texto, mas a 10 ou 20 anos atrás as pessoas também não conheciam a moda. A questão aqui não é sobre a moda ser super conhecida, algo ser conhecido não significa estar vivo e com muitas pessoas usando, ou ter super marcas de sucesso, isso ajuda, mas não é questão. O que mantém uma moda viva são as pessoas que usam ela. Então, enquanto tiver alguém querendo usar moda lolita, colocar um lindo vestido cheio de babados, laços e uma saia de armação com monster poof (quem aí pegou a referência?) a moda lolita estará viva, talvez com menos gente e de uma forma diferente, mas ela estará viva.